Poucas pessoas sabem que é possível usar um consórcio para pagar uma cirurgia plástica, um curso de pós-graduação ou até uma festa de casamento, mas o empresário Tiago Oliva Schietti costuma citar essa modalidade como um exemplo de como o sistema de consórcios evoluiu além da imagem tradicional de carro e imóvel.
O consórcio de serviços foi regulamentado em 2009, junto com a Lei 11.795/2008, e desde então passou a permitir a formação de grupos voltados a praticamente qualquer tipo de serviço previsto em circular específica do Banco Central. Hoje ele já responde por uma fatia relevante do sistema: segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), a participação de consorciados nessa categoria chegou a representar mais de um quarto do total de participantes ativos do setor.
Do conserto de telhado à cirurgia plástica
A lista de serviços contemplados pela regulamentação é mais ampla do que a maioria dos consumidores imagina. Reformas residenciais, projetos de arquitetura, pintura e móveis planejados formam a categoria mais procurada dentro do consórcio de serviços, respondendo pela maior parte das adesões. Em seguida vêm os procedimentos de saúde e estética, como cirurgias plásticas, implantes dentários e tratamentos odontológicos, e, na sequência, festas, formaturas e viagens.
Tiago Oliva Schietti observa que essa diversidade é justamente o que torna a modalidade pouco compreendida: como o consórcio é historicamente associado à compra de bens físicos, muita gente simplesmente desconhece que pode se programar financeiramente para pagar um procedimento médico ou uma viagem internacional da mesma forma que pagaria por um carro.
Como funciona na prática?
A lógica é a mesma dos demais consórcios: o consorciado paga parcelas mensais que compõem um fundo comum, e a contemplação, que dá acesso ao valor da carta de crédito, acontece por sorteio ou por lance. A diferença é que, em muitos casos, o contrato não precisa especificar exatamente qual serviço será contratado no momento da adesão, permitindo alguma flexibilidade na hora de usar o crédito, desde que dentro da categoria contratada.

Essa flexibilidade é especialmente valorizada em consórcios de viagem, por exemplo, nos quais o consorciado pode definir o destino e o roteiro apenas quando a carta de crédito estiver disponível, ajustando o plano à sua realidade naquele momento. Tiago Oliva Schietti destaca esse ponto como um dos diferenciais mais práticos da modalidade.
Para quem esse tipo de consórcio faz mais sentido?
O empresário pondera que o consórcio de serviços tende a fazer mais sentido para quem já tem um objetivo definido, mas sem urgência para realizá-lo, como uma reforma planejada para os próximos anos, uma especialização profissional ou uma viagem para depois da aposentadoria. Por não envolver juros, apenas taxa de administração, a modalidade pode representar uma forma mais disciplinada de guardar dinheiro para esse objetivo específico, em comparação a simplesmente tentar poupar o valor por conta própria.
Por outro lado, quem precisa do serviço em um prazo curto, como uma reforma emergencial ou um procedimento médico urgente, dificilmente encontrará no consórcio a solução mais adequada, já que a data da contemplação não é garantida.
O que observar antes de aderir?
Antes de entrar em um grupo de consórcio de serviços, vale confirmar exatamente quais categorias de serviço estão previstas no contrato, já que a flexibilidade de uso varia conforme a administradora. Também é importante entender as regras de contemplação por sorteio e lance daquele grupo específico, e verificar se a administradora está devidamente autorizada pelo Banco Central do Brasil, assim como acontece com qualquer outra modalidade de consórcio.
Para o empresário Tiago Oliva Schietti, o crescimento do consórcio de serviços reflete uma tendência mais ampla de planejamento financeiro entre os brasileiros, que passaram a buscar formas organizadas de pagar por objetivos que vão muito além da casa e do carro. Ainda assim, como em qualquer decisão de crédito, vale a pena consultar um profissional especializado antes de assumir o compromisso.