Governo dos Estados Unidos avisa que criar conteúdo monetizado com visto de turista durante o Mundial pode ser considerado trabalho ilegal.
A poucos meses da Copa do Mundo de 2026, que terá 78 das 104 partidas disputadas em território norte-americano, os Estados Unidos endureceram as regras para influenciadores estrangeiros que pretendem cobrir o torneio. Segundo comunicado conjunto da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) e do Departamento de Segurança Interna (DHS), monetizar conteúdo, fechar parcerias pagas ou receber patrocínio em solo americano usando visto de turista passa a ser tratado como atividade trabalhista irregular.
O que diz a nova orientação americana
De acordo com as autoridades, o critério não é de onde vem o pagamento, mas onde o trabalho é realizado. Isso significa que um criador brasileiro que recebe de uma marca no Brasil, mas grava e publica conteúdo patrocinado enquanto está fisicamente nos Estados Unidos, pode ser enquadrado na mesma regra. O visto de turista, categoria B1/B2, permite viagens de lazer, visitas a familiares e tratamento médico, mas não autoriza atividades remuneradas nem geração de renda dentro do país.
As consequências para quem descumprir a norma vão de negativa de visto a deportação e restrições para futuras entradas nos Estados Unidos, conforme detalhou reportagem do InfoMoney. A fiscalização, segundo o comunicado, vai incluir a análise de perfis em redes sociais como forma de comprovar o real objetivo da viagem, o que torna o próprio conteúdo publicado pelo criador uma evidência contra ele em caso de investigação.
Por que a medida preocupa tanto os criadores de conteúdo
A preocupação do setor é compreensível: cobrir grandes eventos esportivos internacionais é uma das atividades mais lucrativas para influenciadores de entretenimento e esporte, que costumam viajar com o objetivo declarado de produzir conteúdo para suas audiências. Um advogado ouvido pelo El País pondera que pode haver diferença entre quem viaja como turista comum e viraliza de forma espontânea e quem já parte para o evento com o propósito comercial declarado de gerar conteúdo patrocinado.
Para quem pretende atuar de forma profissional durante o Mundial, a alternativa apontada pelas autoridades americanas é o visto O-1, destinado a pessoas com habilidades extraordinárias em áreas como artes, esportes e negócios, que permite legalmente a realização de campanhas publicitárias e produção comercial de conteúdo dentro do país. Outra opção mencionada é o visto de mídia, voltado a profissionais de imprensa vinculados a veículos de comunicação.
Como o mercado de influência está se organizando
O tema já circula com força entre criadores brasileiros que planejam acompanhar a Copa de perto, muitos dos quais construíram parte de sua audiência justamente cobrindo Copas e Olimpíadas anteriores. A orientação prática de especialistas em direito imigratório é buscar assessoria jurídica especializada antes da viagem, já que a análise de qual visto é adequado depende do formato exato de trabalho que o criador pretende realizar durante o evento.
O episódio também acende um debate mais amplo sobre como diferentes países vêm tratando a atividade de influenciador diante da lei, um tema que, como mostrado na matéria anterior desta edição, também começa a ganhar contornos regulatórios no Brasil. A diferença é que, nos Estados Unidos, a discussão já saiu do campo das intenções e passou a valer, na prática, para quem embarcar rumo ao Mundial nos próximos meses.
Resta acompanhar como a fiscalização vai funcionar durante os jogos e se o alerta vai, de fato, mudar o comportamento de influenciadores que historicamente tratam grandes eventos esportivos como oportunidade de negócio e de audiência ao mesmo tempo.
Fontes consultadas:
- InfoMoney: EUA alertam que influenciador digital na Copa precisa de visto de trabalho
- Poder360: EUA proíbem influenciadores de monetizar com visto de turista na Copa
- IHU Unisinos: EUA alertam influenciadores estrangeiros antes da Copa do Mundo
- Máquina do Esporte: EUA proíbem influenciadores de ganhar dinheiro com visto de turista