Alene de Godoy, do perfil @afroecologica, é a única representante do Brasil na Lista Discover da plataforma, selecionada entre criadores de mais de 20 países.
Em fevereiro de 2026, o TikTok divulgou sua Lista Discover, uma seleção com os 50 criadores mais impactantes da plataforma no período anterior. Entre nomes da Indonésia, Nigéria, Estados Unidos e Cazaquistão, uma brasileira aparece na seleção: Alene de Godoy, criadora do perfil @afroecologica, de Londrina (TikTok Newsroom; Exame). Formada em geografia, ela foi incluída na categoria “Foodies” (Amantes da Gastronomia) por celebrar a herança cultural da gastronomia, recorrendo sempre a ingredientes naturais e dando dicas de como se alimentar com sustentabilidade (TikTok Newsroom). Com mais de 8 milhões de curtidas e 417 mil seguidores na plataforma, seus conteúdos exploram a agroecologia de forma democrática e reforçam a importância de recuperar a comida afetiva e limpa (TikTok Newsroom).
A lista é dividida em cinco categorias, Educators, Foodies, Icons, Innovators e Originators, e reúne criadores com um dom em comum: contar histórias construindo um mundo onde a curiosidade leva à descoberta, segundo a própria definição do TikTok (TikTok Newsroom). O fato de uma criadora de nicho específico, culinária com recorte afrocentrado e sustentável, estar entre os 50 mais impactantes do mundo diz muito sobre o que a plataforma passou a valorizar. A era dos influenciadores genéricos com audiências massivas mas pouco engajadas está dando lugar ao reconhecimento de criadores que constroem comunidade em torno de um tema definido com clareza.
O que o sucesso de @afroecologica revela sobre o novo perfil do criador de conteúdo
A história de Alene de Godoy no TikTok não é a de alguém que foi viral por acidente e capitalizou o momento. É a de uma criadora que escolheu um nicho específico e foi fiel a ele de forma consistente. Ao conectar comida, cultura e sustentabilidade em um único perfil, ela criou um território editorial que poucas pessoas ocupavam com autenticidade, o que tornou @afroecologica difícil de ignorar tanto pelo algoritmo quanto pelo público.
Esse modelo de posicionamento está no centro do que especialistas em marketing de influência apontam como uma das principais tendências de 2026: a força crescente dos microinfluenciadores e a valorização de criadores com atuação forte em nichos especializados, segundo análise da Nação Digital (nacao.digital). Beleza, moda, saúde, tecnologia e educação aparecem como os segmentos com maior potencial de conversão em campanhas patrocinadas, segundo a pesquisa Consumo e Influência Digital 2026, realizada pela Opinion Box em parceria com a Influency.me (Influency.me). Mas criadores de nicho em categorias menos convencionais, como culinária com recorte identitário, também encontraram seu espaço à medida que as plataformas passaram a valorizar engajamento qualificado acima de alcance bruto.
Uma mudança estrutural que favoreceu perfis como o de Alene é a evolução dos algoritmos das plataformas. Em vez de amplificar apenas o conteúdo com mais curtidas, as ferramentas passaram a identificar padrões de interesse específico e entregar conteúdo especializado para públicos que demonstram afinidade com aquele tema. Isso significa que um vídeo sobre culinária e aproveitamento integral de alimentos pode chegar a milhares de pessoas interessadas em sustentabilidade no mundo inteiro, mesmo que o perfil não tenha centenas de milhares de seguidores.
Como a creator economy brasileira está se posicionando no cenário global
O Brasil é o segundo maior mercado de influenciadores do mundo, com mais de 4,4 milhões de criadores ativos só no Instagram, o equivalente a 10,2% de todos os creators da plataforma no planeta, segundo o relatório State of Influencer Marketing 2026, da HypeAuditor (E-Commerce Brasil). Em todas as plataformas somadas, o número total de influenciadores digitais brasileiros ativos chegou a 2,1 milhões em 2025, um avanço de 8% em relação ao ano anterior, segundo levantamento da Influency.me (Jornal do Brás). Esses números colocam o país em uma posição de destaque no cenário global, mas também revelam um mercado cada vez mais competitivo, onde volume já não é vantagem em si.
A grande transformação em curso é a profissionalização. Criadores que antes atuavam de forma intuitiva, postando quando tinham tempo e usando ferramentas básicas, agora precisam entender métricas, planejar calendário editorial, negociar contratos com marcas e, em muitos casos, montar equipes para dar conta da produção. Segundo dados da Influency.me, 75% das empresas brasileiras já utilizam marketing de influência em suas estratégias, e muitas pretendem ampliar esse investimento nos próximos anos (Influency.me). Isso cria uma demanda real por criadores que saibam entregar resultados mensuráveis, não apenas engajamento superficial.
O caso de Alene de Godoy na Lista Discover do TikTok é um exemplo concreto de que o Brasil tem criadores com potencial de audiência global. A questão para o ecossistema nacional é como apoiar esses perfis, seja com ferramentas, formação ou conexões com marcas internacionais, para que mais histórias como a dela se tornem recorrentes e não exceções.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez